quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vontade de escrever. Muita vontade. Ler e escrever são minhas formas preferidas de perceber o mundo e de deixar que o mundo me perceba. Ou me ignore, como queira. Mas muito antes dessa era de blogs, onde todos tem opniões relevantes, eu já escrevia nos meus cadernos solitários, onde umas poucas amigas liam e comentavam. Agora, até o alcance da irrelevância é bem maior...
A verdade é que eu quase não escrevo que é um pouco difícil fazê-lo com um bebê pendurado em um dos braços. Embora por conta disso eu acho que estou perdendo minha canhotice e estou me tornando progressivamente ambidestra... Eu sempre admirei as mães como se fossem uma mutação, um personagem de Heroes ou X-Men. Não conseguiu abrir a lata? Chama a mãe! Não sabe onde está a blusa vermelha? Chama a mãe! Não consegue alcançar o livro na prateleira mais em cima? Chama a mãe! Está chovendo? Chama a mãe! Não sabe o que fazer? Chama a mãe... Mães têm super força, telepatia, são elásticas, controlam o tempo e o espaço (embora às vezes não consigam controlar os próprios filhos). Mães são Onipresentes e Oniscientes. E tendo estado a vida inteira no lado de lá, no mundo cor de rosa das filhas que não sabem nada, eu sempre tive um enorme respeito pelas habilidades insuspeitas da criatura mitológica que me criou. Minha mãe era como Deméter para mim. Eu sabia que ela congelaria a terra e me buscaria no inferno se fosse preciso. E nunca imaginei que um dia seria como ela...
Mas eu tenho desenvolvido minhas próprias habilidades nos últimos meses... Escuto o choro da minha filha na minha cabeça, e acordo antes dela de fato chorar, tenho mais braços que o Octopus, alcanço coisas impossíveis de pegar, não tenho nojo de nada que seja dela. Nariz franzido em troca de fralda? Só se for de filho dos outros... Algumas habilidades incorporam na nossa personalidade. Outras só funcionam com o filho da gente. Mas não tem nada que se compare com o sorriso dela e a confiança que os olhinhos dela demonstram. Meu pequeno milagre é fabuloso. E eu digo para ela: qualquer problema, chama a mãe!

E com minhas novas habilidades mutantes, eu vou tentar escrever um pouco mais, nem que seja com a direita. E vou tentar variar de assunto embora ela seja meu assunto preferido...