domingo, 10 de julho de 2011
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Tchau, Lula!
Vi ontem o Manhattan Connection do de domingo passado, o último na GNT, já que a partir de janeiro o programa migrará para a Globonews com algumas alterações no formato. O convidado especial do programa foi o Presidente Fernando Henrique Cardoso. O bate papo foi interessantíssimo, e eu fiquei incomodada pensando em por que, o brasileiro despreza ao ponto da ojeriza o lúcido, inteligente, articulado e preparado sociólogo e arrasta multidões, bandeirinhas, estrelinhas por conta das metáforas pobres, do discurso desconexo, do português mal articulado, da política podre do Lula.
Sempre fui admiradora do FHC, coisa que talvez eu não devesse declarar às portas de iniciar um mestrado em História Social na UFRJ. Todo mundo sabe que, para a universidade, para os intelectuais em geral, tão abestalhados com o advento do proletário messias, uma espécie de "bom selvagem" do Rousseau, o PSDB é de direita, o FHC é representante das "zelites", e essa é uma posição política que é um perigo para a minha futura carreira acadêmica. Mas eu não posso me conter. Como enaltecer um político rasteiro como o Lula e desprezar um estadista como Fernando Henrique Cardoso? É claro que com o passar dos anos, vinte, trinta, cinquenta, cem, a história se despirá dos preconceitos ideológicos e se pronunciará como juíza suprema e imparcial destes presidentes. Indagados sobre os grandes presidentes do passado, os que mudaram os rumos do país, os que transformaram o Brasil, Fernando Henrique lembrou de Rodrigues Alves, Campos Salles, Getúlio, Juscelino e até Castello. Fizessem essa pergunta ao Lula e ele responderia o próprio nome, por falta de modéstia, má fé e falta de estudo, afinal duvido muito que ele saiba o suficiente de história do Brasil. E nem precisa. Por que nunca antes nesse país aconteceu nada que valesse a pena relatar, antes do governo dele.
Mas falar mal de Lula é depois de oito anos, chutar cachorro morto. Acaba sábado com a graça de Deus. Guardo no peito a esperança de que a Dilma seja uma caixinha de surpresas boas, e dê um jeito na companheirada, e coloque o Brasil nos rumos inequívocos da democracia, e se afastando do flerte com a escória do mundo. Eu não votei nela. Faço parte dos 45% dos brasileiros que tem pavor do PT e seus asseclas. Mas só posso esperar o melhor. Para mim, o copo está meio cheio.
Nos oito anos de governo Lula, me formei, trabalhei, me casei, tive filho, comprei carro, comprei casa, viajei. Por causa do Lula? Não. Por causa do meu próprio esforço, e não fiz mais por conta dos impostos que me são roubados pelo Estado, para sustentar a corrupção e os miseráveis dos programas assistenciais. E agora vai acabar. Tudo acaba um dia, é certo. A era de César acabou, o que dirá a "era Lula". Quer dizer, já era Lula. Ele pensa em voltar em 2014. Mas 2014 pertence aos profetas, às pitonisas. 2014 não existe ainda. Ele pode morrer até lá. O mundo pode acabar em 2012, como desejam os pessimistas que não sabem o que fazer de si.
Enfim, este texto era para ser simplesmente um elogio e admiração ao Fernando Henrique e acabei resvalando para a mágoa mesquinha que guardei por oito anos. Embora não percebamos agora, o Lula diminuiu o Brasil. Mas acabou.
Faço votos para um 2011 de progresso, realizações e paz.
Boa sorte a todos!
Sempre fui admiradora do FHC, coisa que talvez eu não devesse declarar às portas de iniciar um mestrado em História Social na UFRJ. Todo mundo sabe que, para a universidade, para os intelectuais em geral, tão abestalhados com o advento do proletário messias, uma espécie de "bom selvagem" do Rousseau, o PSDB é de direita, o FHC é representante das "zelites", e essa é uma posição política que é um perigo para a minha futura carreira acadêmica. Mas eu não posso me conter. Como enaltecer um político rasteiro como o Lula e desprezar um estadista como Fernando Henrique Cardoso? É claro que com o passar dos anos, vinte, trinta, cinquenta, cem, a história se despirá dos preconceitos ideológicos e se pronunciará como juíza suprema e imparcial destes presidentes. Indagados sobre os grandes presidentes do passado, os que mudaram os rumos do país, os que transformaram o Brasil, Fernando Henrique lembrou de Rodrigues Alves, Campos Salles, Getúlio, Juscelino e até Castello. Fizessem essa pergunta ao Lula e ele responderia o próprio nome, por falta de modéstia, má fé e falta de estudo, afinal duvido muito que ele saiba o suficiente de história do Brasil. E nem precisa. Por que nunca antes nesse país aconteceu nada que valesse a pena relatar, antes do governo dele.
Mas falar mal de Lula é depois de oito anos, chutar cachorro morto. Acaba sábado com a graça de Deus. Guardo no peito a esperança de que a Dilma seja uma caixinha de surpresas boas, e dê um jeito na companheirada, e coloque o Brasil nos rumos inequívocos da democracia, e se afastando do flerte com a escória do mundo. Eu não votei nela. Faço parte dos 45% dos brasileiros que tem pavor do PT e seus asseclas. Mas só posso esperar o melhor. Para mim, o copo está meio cheio.
Nos oito anos de governo Lula, me formei, trabalhei, me casei, tive filho, comprei carro, comprei casa, viajei. Por causa do Lula? Não. Por causa do meu próprio esforço, e não fiz mais por conta dos impostos que me são roubados pelo Estado, para sustentar a corrupção e os miseráveis dos programas assistenciais. E agora vai acabar. Tudo acaba um dia, é certo. A era de César acabou, o que dirá a "era Lula". Quer dizer, já era Lula. Ele pensa em voltar em 2014. Mas 2014 pertence aos profetas, às pitonisas. 2014 não existe ainda. Ele pode morrer até lá. O mundo pode acabar em 2012, como desejam os pessimistas que não sabem o que fazer de si.
Enfim, este texto era para ser simplesmente um elogio e admiração ao Fernando Henrique e acabei resvalando para a mágoa mesquinha que guardei por oito anos. Embora não percebamos agora, o Lula diminuiu o Brasil. Mas acabou.
Faço votos para um 2011 de progresso, realizações e paz.
Boa sorte a todos!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Aos meus amigos, neste Natal. Ano VI.
Parece que foi em outra vida que eu tinha um blog que todos os meus amigos liam, e fazia mensagens de Natal tão inspiradas, que eu mesma quase acreditava que a boa vontade nos levaria à paz na Terra. Definitivamente, foi em outra vida.
De qualquer forma, eu estou bem convencida de que é Natal. Provavelmente por conta dos vídeos do youtube, montagens com fotos de papai noel, árvores de natal, paisagens, flocos de neve, presépios, bichinhos e bebês fofos, todos embalados pela Simone cantando "Então é Natal", ou, nas versões mais toleráveis, por John Lennon, com a original "Merry Christmas". Eu inadvertidamente mostrei um desses vídeos à criança e abri uma caixa de Pandora. Como consequência o computador da sala não me pertence mais, e cada vez que a música acaba e ela se dá conta disso, começa a gritar "Noel, Noel!" e vai apertar a tecla mais uma vez para recomeçar. Graças a Deus isso já aprendeu a fazer sozinha. Seria terrível ter que levantar a cada quatro minutos para reiniciar o vídeo.
Mas é Natal. O ano termina e começa outra vez. E cá estamos nós mais uma vez procurando um pouco de fôlego para o exame das nossas conquistas, dos nossos fracassos e da nossa consciência. E mais uma vez, este é o grande barato do final do ano. A sensação que, se não deu desta vez, teremos um novo prazo de 365 dias para tentar novamente, o que quer que seja. Casar, emagrecer, ter filho, andar de bicicleta, entrar para a academia, mudar de emprego, passar no vestibular... O final do ano nos deixa com a sensação que tudo será possível no ano que vem. Que da próxima vez, vamos conseguir. Mesmo quando acabamos nos deixando arrastar, mais uma vez, por uma rotina massacrante. O final do ano, é uma fuga. Um momento de esperança. Um horizonte.
É assim para mim. Algumas vitórias consegui alcançar. Outras nem tentei. Mas este ano consegui ter um reencontro comigo mesma, e com minhas habilidades, consegui sair do "tempo da natureza", em que estive imersa nos últimos dois anos e voltar para "o mundo das pessoas adultas". Muito importante. Viajei um pouco. Conheci lugares e pessoas interessantes. Tudo dentro das minhas limitações de mãe-de-criança-pequena, mas já um grande passo. Tive perdas também. Sempre há escolhas a ser feitas. Sempre alguma coisa fica para trás. Percebi, de alguma forma, que algumas amizades foram sofrendo uma perda de intimidade, que doeu um pouco. Mas a fila anda, e se vão os anéis para preservarmos os dedos. Outros ficam. Outros chegam. Fui a um casamento de gente que quero ver muito feliz, sempre. Fui a um enterro, que encerrou uma geração da minha família. Fui a muita festa de criança, e continuo não gostando . Mas vale a pena ver o sorriso da minha filha, enquanto ela corre para lá e para cá, pula, dança, feliz, feliz. Aliás, para ver filho feliz, vale quase qualquer coisa, e nada é mico, nem correr atrás de desfile folclórico para pegar pão para a criança...
Enfim, foi um ano estranho. Acho que vi muita televisão. Também li muito, mas não o suficiente para apagar o medo da água que senti em abril, enquanto acompanhava a enchente pela televisão, e esperava um tsunami invadir minha casa segura. Ou a insegurança que qualquer nuvenzinha mais escura causa na hora de sair de casa. Insegurança que não passa com a visão das polícias e das forças armadas invadindo o Complexo do Alemão. Onde estão os bandidos? Escondidos em algum lugar perto da minha casa? Esperando a poeira baixar para agir? Onde estão nossos direitos humanos? Nosso direito de ir e vir? Nem vou falar da Copa do Mundo, das Eleições ou da vitória do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Fim dos tempos, talvez.
Mas é Natal. E a gente acredita. Acredita que vai conseguir comprar o presente do amigo oculto faltando uma semana para o Natal. Acredita até que se for cedo, o shopping vai estar vazio. Acredita em mudança. Em transformação. Em novidade. É final de ano, e o ano que vem que não existe ainda, é o tempo das possibilidades. Para o ano que vem, está tudo dentro da nossa cabeça. É o futuro. E o futuro depende de nós. Mãos à obra.
De qualquer forma, eu estou bem convencida de que é Natal. Provavelmente por conta dos vídeos do youtube, montagens com fotos de papai noel, árvores de natal, paisagens, flocos de neve, presépios, bichinhos e bebês fofos, todos embalados pela Simone cantando "Então é Natal", ou, nas versões mais toleráveis, por John Lennon, com a original "Merry Christmas". Eu inadvertidamente mostrei um desses vídeos à criança e abri uma caixa de Pandora. Como consequência o computador da sala não me pertence mais, e cada vez que a música acaba e ela se dá conta disso, começa a gritar "Noel, Noel!" e vai apertar a tecla mais uma vez para recomeçar. Graças a Deus isso já aprendeu a fazer sozinha. Seria terrível ter que levantar a cada quatro minutos para reiniciar o vídeo.
Mas é Natal. O ano termina e começa outra vez. E cá estamos nós mais uma vez procurando um pouco de fôlego para o exame das nossas conquistas, dos nossos fracassos e da nossa consciência. E mais uma vez, este é o grande barato do final do ano. A sensação que, se não deu desta vez, teremos um novo prazo de 365 dias para tentar novamente, o que quer que seja. Casar, emagrecer, ter filho, andar de bicicleta, entrar para a academia, mudar de emprego, passar no vestibular... O final do ano nos deixa com a sensação que tudo será possível no ano que vem. Que da próxima vez, vamos conseguir. Mesmo quando acabamos nos deixando arrastar, mais uma vez, por uma rotina massacrante. O final do ano, é uma fuga. Um momento de esperança. Um horizonte.
É assim para mim. Algumas vitórias consegui alcançar. Outras nem tentei. Mas este ano consegui ter um reencontro comigo mesma, e com minhas habilidades, consegui sair do "tempo da natureza", em que estive imersa nos últimos dois anos e voltar para "o mundo das pessoas adultas". Muito importante. Viajei um pouco. Conheci lugares e pessoas interessantes. Tudo dentro das minhas limitações de mãe-de-criança-pequena, mas já um grande passo. Tive perdas também. Sempre há escolhas a ser feitas. Sempre alguma coisa fica para trás. Percebi, de alguma forma, que algumas amizades foram sofrendo uma perda de intimidade, que doeu um pouco. Mas a fila anda, e se vão os anéis para preservarmos os dedos. Outros ficam. Outros chegam. Fui a um casamento de gente que quero ver muito feliz, sempre. Fui a um enterro, que encerrou uma geração da minha família. Fui a muita festa de criança, e continuo não gostando . Mas vale a pena ver o sorriso da minha filha, enquanto ela corre para lá e para cá, pula, dança, feliz, feliz. Aliás, para ver filho feliz, vale quase qualquer coisa, e nada é mico, nem correr atrás de desfile folclórico para pegar pão para a criança...
Enfim, foi um ano estranho. Acho que vi muita televisão. Também li muito, mas não o suficiente para apagar o medo da água que senti em abril, enquanto acompanhava a enchente pela televisão, e esperava um tsunami invadir minha casa segura. Ou a insegurança que qualquer nuvenzinha mais escura causa na hora de sair de casa. Insegurança que não passa com a visão das polícias e das forças armadas invadindo o Complexo do Alemão. Onde estão os bandidos? Escondidos em algum lugar perto da minha casa? Esperando a poeira baixar para agir? Onde estão nossos direitos humanos? Nosso direito de ir e vir? Nem vou falar da Copa do Mundo, das Eleições ou da vitória do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Fim dos tempos, talvez.
Mas é Natal. E a gente acredita. Acredita que vai conseguir comprar o presente do amigo oculto faltando uma semana para o Natal. Acredita até que se for cedo, o shopping vai estar vazio. Acredita em mudança. Em transformação. Em novidade. É final de ano, e o ano que vem que não existe ainda, é o tempo das possibilidades. Para o ano que vem, está tudo dentro da nossa cabeça. É o futuro. E o futuro depende de nós. Mãos à obra.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ufa! Que saudade do tempo que eu escrevia todo dia. Agora os dias viram semanas, as semanas viram meses e as linhas de expressão viram rugas. E os blogs meio que perdem o sentido, por que todo mundo 'twitta'. Mas eu sou um pouco burra para parcer inteligente em 150 caracteres, e realmente tenho horror de parecer burra, então é um impasse intransponível.
Por outro lado, a criança chora toda vez que me vê um pouco concentrada em alguma coisa que não seja a pessoa dela, o que é um fator que dificulta bastante minha existência. Eu me sinto como uma paciente de lobotomia, por que eu só tenho meio cérebro para fazer minhas coisas. Eu fiz um projeto para o mestrado com meio cérebro, estudei para a prova com meio cérebro, mas espero conseguir fazer a prova com meu cérebro inteiro. O que não significa muita coisa, afinal, só devo ter assimilado metade do conteúdo.
Assim, independente do resultado, acho que posso me considerar vitoriosa. Devia ter vagas para deficientes. Eu devia concorrer a uma delas.
*** *** ***
Ser mãe é algo contra a minha natureza. Eu tenho um temperamento dado durante a semana à introspecção, à leitura, à divagação e à inércia. E no final de semana dado à bebida alcóolica e bastante bagunça. E está tudo ao contrário agora. Eu passo a semana toda me mexendo mais do que pensando, embora aparentemente ambos sejam concomitantes. Não são. E passo o final de semana sóbria, ainda me mexendo, é claro. Eu nunca mais vou ficar quieta na vida, é uma constatação;
*** *** ***
Falando em crianças, sem considerar o fato de que nunca fui muito fã delas, o que está acontecendo com este mundo? Sim, eu sei que infância e adolescencia tal como a conhecemos mais do que uma condição biológica é um status culturalmente inventado, etc, etc. Sei que historicamente falando casos de abandono e infanticídio são bastante comuns, mas eu também sei que as causas sempre estiveram ligadas à impossibilidade de criar mais um filho. Ou em assumir uma criança ilegítima. Vivemos em tempos civilizados. Devíamos estar civilizados. Devíamos ser civilizados. Mas não somos. Estamos na verdade, vivendo tempos doentes, em que pessoas aparentemente sãs, descontam suas neuroses em crianças. Não é gente ignorante, nem gente que passa fome. É gente com casa, comida e até diploma. De onde vem essa psicopatia? De onde vem essa maldade? De onde vem ...?
Por outro lado, a criança chora toda vez que me vê um pouco concentrada em alguma coisa que não seja a pessoa dela, o que é um fator que dificulta bastante minha existência. Eu me sinto como uma paciente de lobotomia, por que eu só tenho meio cérebro para fazer minhas coisas. Eu fiz um projeto para o mestrado com meio cérebro, estudei para a prova com meio cérebro, mas espero conseguir fazer a prova com meu cérebro inteiro. O que não significa muita coisa, afinal, só devo ter assimilado metade do conteúdo.
Assim, independente do resultado, acho que posso me considerar vitoriosa. Devia ter vagas para deficientes. Eu devia concorrer a uma delas.
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Ser mãe é algo contra a minha natureza. Eu tenho um temperamento dado durante a semana à introspecção, à leitura, à divagação e à inércia. E no final de semana dado à bebida alcóolica e bastante bagunça. E está tudo ao contrário agora. Eu passo a semana toda me mexendo mais do que pensando, embora aparentemente ambos sejam concomitantes. Não são. E passo o final de semana sóbria, ainda me mexendo, é claro. Eu nunca mais vou ficar quieta na vida, é uma constatação;
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Falando em crianças, sem considerar o fato de que nunca fui muito fã delas, o que está acontecendo com este mundo? Sim, eu sei que infância e adolescencia tal como a conhecemos mais do que uma condição biológica é um status culturalmente inventado, etc, etc. Sei que historicamente falando casos de abandono e infanticídio são bastante comuns, mas eu também sei que as causas sempre estiveram ligadas à impossibilidade de criar mais um filho. Ou em assumir uma criança ilegítima. Vivemos em tempos civilizados. Devíamos estar civilizados. Devíamos ser civilizados. Mas não somos. Estamos na verdade, vivendo tempos doentes, em que pessoas aparentemente sãs, descontam suas neuroses em crianças. Não é gente ignorante, nem gente que passa fome. É gente com casa, comida e até diploma. De onde vem essa psicopatia? De onde vem essa maldade? De onde vem ...?
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Mesário é o Caralho!
A vice diretora de uma das escolas que eu trabalho ligou hoje para pedir meus dados para encaminhar para o TRE. Peraí!, eu falei, vai mandar meus dados para eu ser mesária? Não sei, mas tenho que mandar, foi a resposta.
Eu não dou nada para o Brasil. Principalmente enquanto o Brasil for governado pelo PT. O máximo de mim que dou ao país é minha torcida em dia de jogo da seleção brasileira e olhe lá. E meus impostos, que já são mais do que suficientes. Dar meu tempo não é um objetivo de vida. E por isso fiz uma coisa que já estava pensando em fazer mesmo. Preenchi a ficha de pré-inscrição no PSDB. Não gostou? Que se foda! Você que está lendo e os outros petistas filhos-da-puta. Que se fodam o Lula, a Dilma, e aquele povo imundo deles.
Este ano eu não queria saber de eleição. Este ano eu ia ficar quieta, e esperar o dia para ir lá votar no 45. E só. Mas me convocar é sacanagem. É guerra. Estão ferindo meus direitos constitucionais. Querem meu tempo, paguem por ele, ou me convençam, me seduzam. Não me convoquem. Eu sou muuiiito ciosa do meu tempo. Eu tenho filho pequeno e dia de eleição para mim, serve para eu exercer o meu direito de eleger meu representante. Vou por que quero e satisfeita, por que não tenho cabresto. Não preciso de bolsa escola, bolsa família, bolsa leite, bolsa gás ou qualquer esmola do tipo. Não preciso me vender, nem negociar minhas convicções. Não prostituo minha ideologia. Não preciso disso.
Mas QUEREM ME OBRIGAR A TRABALHAR? Por que? Por que eu sou funcionária pública, por que eu sou professora? Eu descobri que eles tem predileção pela categoria. É mais fácil de punir suspendendo sálario e essas coisas. Eles devem gostar de professores para ajudar os analfabetos a usarem a urna.
Meu Deus! Fico imaginado, minha pessoa sentada lá, enquanto chega gente falando que tem que votar no Lula, quer dizer na Dilma, aquela nulidade pernóstica, para não perder suas miserinhas...
Ok, Serra. Agora é sério. Faço campanha de graça e com gosto para você. Vamos tirar os incompetentes do poder! Chega dessa esquerda mesquinha e retrógada. Chega de amizade com ditadorzinhos de quinta categoria. O país precisa de mim? Quer os meus serviços? Que eu possa me orgulhar dele, pelo menos.
13 dá azar. 13 nunca mais!
domingo, 20 de junho de 2010
Fúria de Titãs
Ontem fui ao cinema. Seria absolutamente trivial se não fosse a segunda vez que vou em um ano e três meses. O último filme que vi foi "Avatar", há seis meses. Eu sei que tem gente que não liga. A menina que trabalha aqui em casa, por exemplo, o último filme que viu no cinema foi "Rambo III" (?), no tempo em que americanos e afegãos eram amigos, e não existiam talibãs, só guerra fria. Mas para mim que meu primeiro filme foi ET, é uma terrível agonia não ir ao cinema ver todas as estréias que eu tenho vontade. Mas é o que acontece com quem tem filho pequeno e não tem mãe...
Enfim, surge uma oportunidade, e com a criança devidamente encaminhada, com a avó e a tia, nós os pais, explorados, exaustos e até doentes, fugimos para uma abençoada sessão de cinema. Compramos os ingressos um dia antes. Eu não poderia correr o risco de não ter ingresso para mim. A única exigência era que fosse sessão legendada. Eu sou moça letrada e faço questão de ler os diálogos. E sou meio surda, nunca entendo a dublagem...
O filme já estava escolhido e não poderia ser outro. "Fúria de Titãs". Remake do clássico de 81, que marcou minha infância. Aqui em São Gonçalo, pelos idos dos anos 80, tinha uma única locadora, chamada Tela Mágica. Era no tempo que a gente escolhia o filme que ia ver em fichinhas datilografadas e os filmes levavam um hiato de anos entre o cinema e a locadora, os lançamentos da Tela Quente eram realmente quentes e o auge da tecnologia e da pirataria era ter dois videocassetes em casa e copiar VHS de um para o outro! Minha filha nunca vai saber o que é uma fita VHS, ou K-7, mas eu não esqueço. Papai saia todo sábado pela manhã comigo e alguns agregados nossos, eu não tinha irmão mas eles tinham adotado a criançada da vizinhança, e íamos na Tela Mágica escolher, geralmente por análise combinatória, sempre os mesmos filmes. Conan, o Bárbaro, A Casa do Espanto, Poltergeist, Krull e, claro "The Clash of Titans". Geralmente levávamos umas sete fitas por fim de semana. E por isso tinhamos que repetir os filmes. Chega a ser engraçado, mas fazia todo o sentido na época.
Eu não esperava nada do novo "Furia de Titãs". Quer dizer, eu sabia que Hollywood ia fazer lambança com o roteiro, e na verdade, o resultado é até melhor que o esperado. É obvio que a presença dos Djin, que fazem parte da mitologia persa, e do maluco que parece um faquir hindu é injustificável. A opção por não desenvolver um romance entre Perseu e Andrômeda é uma afronta. Achar que Zeus seria tolo a ponto de dar um mole daquele para Hades é um disparate. O sub aproveitamento dos deuses olímpicos é injustificável. E quem é Io, meu Deus?
Mitologia não é história, mas os mitos, por vezes recorrentes, são coerentes com um determinado universo simbólico. Perseu, como Édipo e o próprio Zeus, é o filho , no caso neto, cuja existência ameaça a vida do seu genitor. Tudo sempre começa com uma profecia. Édipo é abandonado por que mataria seu pai, Laio, o que acaba acontecendo, de outra maneira. Cronos comia seus filhos pelo medo que tinha de que o depusessem, e apenas o pequeno Zeus é salvo por sua mãe, Réia, que dá ao marido uma pedra no lugar da criança, e ele com um apetite considerável não percebeu a diferença. Adulto, Zeus enfrenta e mata o pai, e de sua barriga retira seus irmãos vivos (afinal são deuses), e desse despedaçamento do genitor, nasce Afrodite, do encontro do sêmem de Cronos com a espuma do mar... Acrísio, rei de Argos tinha uma bela filha, que não poderia casar, pois a profecia dizia que o filho dela o mataria. Assim, trancou Danae numa alta torre e o desafio inflou o rei do Olimpo, e Zeus a possuiu sob a forma de uma chuva de ouro. Não sei como isso é possível, mas é lindo e poético. Acrísio tenta se livrar da filha e do neto, mas como ninguém mata a sangue frio a amante e o filho de um deus, são jogados no mar em um esquife. Há varias versões para os acontecimentos que seguem, mas Perseu é um homem com um destino. Ele mata a Medusa, uma das três Górgonas, e casa com Andromeda, e a história deles é conservada nas estrelas, sob forma de constelações.
Mas a gente hoje em dia não acredita mais em destino, nem em falta (a hybris dos gregos) e reparação. E o novo Perseu, lacônico, macho total, testosterona pura, desafia os deuses. Hérois gregos não desafiam deuses, a não ser quando devem ir ao Tártaro resgatar amados. Hérois gregos vivem em um universo em que algumas coisas são inevitáveis, a não ser que tenham muita coragem, sangue divino e ajuda dos Deuses. Em algumas versões, a bela Helena era filha de Zeus. Hercules era filho de Zeus. Aquiles, Jasão e Teseu também tinham divino parentesco.
Mas esse Perseu despreza os deuses e seus presentes (maravilhosos na versão de 81), e quer resolver tudo como homem. E Acrísio foi rebaixado a corno, bobo, enganado como Gorlois foi enganado por Merlin e Uther Pendragon em outra mitologia, para engendrar outro herói. Zeus era um camarada sofisticado. Cisne, boi, chuva de ouro, tudo valia para conquistar uma de suas belas helenas. Se disfarçar de marido... Bem ele o fez, mas o marido traído era Anfitrião e o rebento nascido foi Hércules.
Ah. O filme foi bom. Mas sinal dos nossos tempos, visualmente poderoso para ficar bem em 3D, com vistas aéreas tiradas de "O Senhor dos Anéis", e lutas inspiradas por "Matrix", com um sujeito duro de matar. Nada como o lúdico, simples, meio tosco (afinal era todo em stop motion) e fascinante filme de 81. E quando eu passar para os meus alunos, é o antigo que eu vou passar. Para aprenderem que, para além do magnifico Pégasus negro, o que conta realmente é uma boa história...
Bom jogo para todos!
Enfim, surge uma oportunidade, e com a criança devidamente encaminhada, com a avó e a tia, nós os pais, explorados, exaustos e até doentes, fugimos para uma abençoada sessão de cinema. Compramos os ingressos um dia antes. Eu não poderia correr o risco de não ter ingresso para mim. A única exigência era que fosse sessão legendada. Eu sou moça letrada e faço questão de ler os diálogos. E sou meio surda, nunca entendo a dublagem...
O filme já estava escolhido e não poderia ser outro. "Fúria de Titãs". Remake do clássico de 81, que marcou minha infância. Aqui em São Gonçalo, pelos idos dos anos 80, tinha uma única locadora, chamada Tela Mágica. Era no tempo que a gente escolhia o filme que ia ver em fichinhas datilografadas e os filmes levavam um hiato de anos entre o cinema e a locadora, os lançamentos da Tela Quente eram realmente quentes e o auge da tecnologia e da pirataria era ter dois videocassetes em casa e copiar VHS de um para o outro! Minha filha nunca vai saber o que é uma fita VHS, ou K-7, mas eu não esqueço. Papai saia todo sábado pela manhã comigo e alguns agregados nossos, eu não tinha irmão mas eles tinham adotado a criançada da vizinhança, e íamos na Tela Mágica escolher, geralmente por análise combinatória, sempre os mesmos filmes. Conan, o Bárbaro, A Casa do Espanto, Poltergeist, Krull e, claro "The Clash of Titans". Geralmente levávamos umas sete fitas por fim de semana. E por isso tinhamos que repetir os filmes. Chega a ser engraçado, mas fazia todo o sentido na época.
Eu não esperava nada do novo "Furia de Titãs". Quer dizer, eu sabia que Hollywood ia fazer lambança com o roteiro, e na verdade, o resultado é até melhor que o esperado. É obvio que a presença dos Djin, que fazem parte da mitologia persa, e do maluco que parece um faquir hindu é injustificável. A opção por não desenvolver um romance entre Perseu e Andrômeda é uma afronta. Achar que Zeus seria tolo a ponto de dar um mole daquele para Hades é um disparate. O sub aproveitamento dos deuses olímpicos é injustificável. E quem é Io, meu Deus?
Ok. O problema está todo aí, no subaproveitamento dos deuses. O filme é sobre homens em um tempo que está todo voltado para os homens. É um segundo Renascimento, e nesse momento em que vivemos o humanismo atinge o ápice, e abandonamos completamente o divino. E isso se espelha no novo Perseu, um self-made-man que despreza a divindade que há em si e a hierarquia.
Mitologia não é história. Mas foi com sir Laurence Olivier como Zeus que eu me iniciei com gosto nos mistérios de antigas civilizações. Pedi livros. Ganhei livros. Devorei livros. E aos 10 anos eu era "especialista" em Mitologia Grega e Grécia antiga. Período que nem me importo em estudar hoje em dia. Engraçado.Mitologia não é história, mas os mitos, por vezes recorrentes, são coerentes com um determinado universo simbólico. Perseu, como Édipo e o próprio Zeus, é o filho , no caso neto, cuja existência ameaça a vida do seu genitor. Tudo sempre começa com uma profecia. Édipo é abandonado por que mataria seu pai, Laio, o que acaba acontecendo, de outra maneira. Cronos comia seus filhos pelo medo que tinha de que o depusessem, e apenas o pequeno Zeus é salvo por sua mãe, Réia, que dá ao marido uma pedra no lugar da criança, e ele com um apetite considerável não percebeu a diferença. Adulto, Zeus enfrenta e mata o pai, e de sua barriga retira seus irmãos vivos (afinal são deuses), e desse despedaçamento do genitor, nasce Afrodite, do encontro do sêmem de Cronos com a espuma do mar... Acrísio, rei de Argos tinha uma bela filha, que não poderia casar, pois a profecia dizia que o filho dela o mataria. Assim, trancou Danae numa alta torre e o desafio inflou o rei do Olimpo, e Zeus a possuiu sob a forma de uma chuva de ouro. Não sei como isso é possível, mas é lindo e poético. Acrísio tenta se livrar da filha e do neto, mas como ninguém mata a sangue frio a amante e o filho de um deus, são jogados no mar em um esquife. Há varias versões para os acontecimentos que seguem, mas Perseu é um homem com um destino. Ele mata a Medusa, uma das três Górgonas, e casa com Andromeda, e a história deles é conservada nas estrelas, sob forma de constelações.
Mas a gente hoje em dia não acredita mais em destino, nem em falta (a hybris dos gregos) e reparação. E o novo Perseu, lacônico, macho total, testosterona pura, desafia os deuses. Hérois gregos não desafiam deuses, a não ser quando devem ir ao Tártaro resgatar amados. Hérois gregos vivem em um universo em que algumas coisas são inevitáveis, a não ser que tenham muita coragem, sangue divino e ajuda dos Deuses. Em algumas versões, a bela Helena era filha de Zeus. Hercules era filho de Zeus. Aquiles, Jasão e Teseu também tinham divino parentesco.
Mas esse Perseu despreza os deuses e seus presentes (maravilhosos na versão de 81), e quer resolver tudo como homem. E Acrísio foi rebaixado a corno, bobo, enganado como Gorlois foi enganado por Merlin e Uther Pendragon em outra mitologia, para engendrar outro herói. Zeus era um camarada sofisticado. Cisne, boi, chuva de ouro, tudo valia para conquistar uma de suas belas helenas. Se disfarçar de marido... Bem ele o fez, mas o marido traído era Anfitrião e o rebento nascido foi Hércules.
Ah. O filme foi bom. Mas sinal dos nossos tempos, visualmente poderoso para ficar bem em 3D, com vistas aéreas tiradas de "O Senhor dos Anéis", e lutas inspiradas por "Matrix", com um sujeito duro de matar. Nada como o lúdico, simples, meio tosco (afinal era todo em stop motion) e fascinante filme de 81. E quando eu passar para os meus alunos, é o antigo que eu vou passar. Para aprenderem que, para além do magnifico Pégasus negro, o que conta realmente é uma boa história...
Bom jogo para todos!
terça-feira, 27 de abril de 2010
Gramado Shopping Mall
Mega feriadao no Rio de Janeiro, e de forma um pouco ingenua, acreditamos que seria interessante comemorar nosso quinto aniversario de casamento em um destino turistico charmoso e bacana, e fazer alguma coisa diferente, mesmo levando o bebe e a sogra. Pensamos, pensamos e decidimos por Gramado, cidade com fama de romantica na serra Gaucha, da qual tinhamos boas referencias de amigos que ja tinham ido.
Entao vamos. Sempre pensamos que quando a pequena ficasse um pouquinho maior, nos deveriamos viajar sempre. A gente pensava em ser um desses casais aventureiros descolados que sobem o Himalaia com o bebe em um saco nas costas, como fazem os nativos tibetanos. Ate que a parte de viajar com o bebe deu certo, embora o pessoal que voltou no aviao com a gente nao deva ser da mesma opiniao(...), mas o destino, absolutamente nao era o Himalaia.
Antes mesmo de sair de casa, fiquei com a sensacao estranha de que havia algo errado. E que eu fui pesquisar a historia de Gramado e... nada! Quer dizer nao e como se a cidade nao tivesse historia. Tem. A regiao era um ponto de encontro de tropeiros, por volta de 1875, e a partir dai foi aos poucos sendo ocupada por leva de imigrantes. Mas so. Os imigrantes foram levando suas vidinhas calmas e esforcadas e estao la ate hoje. Nada de sangue, nada de paredes caindo de velhas, nada de historia acontecimental...
Enfim, chegamos la, em uma viagem tranquila. Tivemos problemas com a pousada em que nos colocaram, em meio de lugar algum a 4 Km do centro. Tive que admirar a persistencia do Andre, que nao sossegou enquanto nao nos mandaram para um lugar decente, no dia seguinte. Foi um pequeno percalco, desses que deixa a viagem divertida quando a gente conta. Tipo minha sogra pedir a moca da copa para fazer um suco para a crianca no cafe da manha e ela oferecer o liquidificador emprestado, por que fazer, nao fazia. Surreal.
A impressao de surrealismo foi aumentando ao longo dos dias. Talvez, ser turista seja aceitar o surrealismo, por que quem quer realidade, fica em casa. Mas sinceramente, ver aquele pessoal com todo tipo de sotaque, do pais inteiro, fantasiado como se estivesse em Aspen, foi um pouco estranho. As mulheres iam para as excursoes de botas de salto fino, sobretudo e muitos xales. Algumas colocavam meias de fio 80 e short curto e salto alto por cima. Gente, ninguem anda assim na rua! E os gramadenses, os poucos que vi, por que a cidade e dos turistas, os nativos devem se esconder em algum gueto, quando nao estao atendendo nas lojas, bares e hoteis, nao se vestem assim. Mesmo por que eles sentem muito menos frio que a gente.
E que frio! Cinco graus, para um carioca e um martirio. Mas obvio, que se eu quisesse calor, teria ido para o Nordeste (que e o que eu farei da proxima vez, se eu nao tiver desistido de viajar ate la...). Sexta feira, 23 de abril foi o dia mais frio e gelado da minha vida.
Em Gramado, tudo e sentou-sorriu-dividiu. Paga-se pelo menos dez reais em qualquer coisa que se tenha para ver, menos o Museu do Perfume. O pessoal garante o sustento! O teleferico, o Mini Mundo, o Mundo a Vapor, a fabulosa igreja neo-gotica de Canelas, as chocolaterias, o Museu Medieval com o maluco polones que merece uma cronica so dele, a vinicola Jolimont, que so vende no minimo seis garrafas de vinho... Foram bons momentos. O ponto alto sem duvida foi sabado a tarde quando nosso pequeno grupo, cansado e com fome ja estava se desentendendo. Casal, sogra e crianca em completa desarmonia, ate que paramos para ver o desfile dos colonos, descendente dos imigrantes originais, que se apresentavam em carrocas puxadas a boi, onde demonstravam suas atividades. Maria Luisa, que esta na fase dos bichinhos, vibrou com bois, porcos, galinhas, cavalos e tudo mais que veio. Muito bonita de gorrinho lilas, ja risonha, ganhou um saquinho de bolinho de chuva, e pao italiano quentinho saido do forno, das mocas que desfilavam. Matou a fome da familia toda e salvou o dia!
Nao achei as pessoas simpaticas. elas sao polidas, educadas. Mas nao sao simpaticas. Elas sabem que dependem do turista e o tratam bem. Simpaticos mesmo era a italianada do passeio que fizemos na zona rural. A senhora dona da fabrica de Mate se encantou por Maria Luisa, que por sua vez dancou muito forro-italiano com o pessoal da sanfona, em outra propriedade. A cidade em si, e muito bonita. E verde, com construcoes bonitas, ruas amplas, sem sinais, faixa de pedestre que fuciona, limpa, muito limpa. Mas fiquei com a impressao que ela faz um grande esforco para que gostem dela. Gramado-entidade quer muito, que seu turista a adore e idolatre, e eu sou refrataria a essas coisas. Ninguem me obriga a gostar de nada! Os restaurantes de aparencia chique e culinaria maravilhosa (come-se muito bem la, nao sei se e o frio, mas tudo tem gosto melhor), as lojas caras, as roupas deslumbrantes que vendem, sua populacao artificial, os cearenses de Aspen, os paulistas dos Alpes... Caramba! Imagino como deve ser em Bariloche!!!
E um faz-de-conta, como a Disney, imagino. A gente parcela a viagem em 10 x no cartao e passa cinco dias fazendo de conta que e rico. Que esta em Caras... A falta de patrimonio e historia afasta quem gosta de aprender e atrai quem gosta de consumir. Que saudades de Ouro Preto!
Ah! Nao sei se gostei de Gramado. Acho que nao vou saber nunca. Sera sempre uma incognita em minha vida. Um duelo entre o que vi e o que percebi. Mas como diriam os antepassados portugueses, "Navegar e preciso". Conhecer o mundo tambem. Nem que seja para falar mal dele depois!
Bjs!
(A falta de pontuacao dessa cronica e culta de um tal de teclado americano, do computador do Andre!)
Entao vamos. Sempre pensamos que quando a pequena ficasse um pouquinho maior, nos deveriamos viajar sempre. A gente pensava em ser um desses casais aventureiros descolados que sobem o Himalaia com o bebe em um saco nas costas, como fazem os nativos tibetanos. Ate que a parte de viajar com o bebe deu certo, embora o pessoal que voltou no aviao com a gente nao deva ser da mesma opiniao(...), mas o destino, absolutamente nao era o Himalaia.
Antes mesmo de sair de casa, fiquei com a sensacao estranha de que havia algo errado. E que eu fui pesquisar a historia de Gramado e... nada! Quer dizer nao e como se a cidade nao tivesse historia. Tem. A regiao era um ponto de encontro de tropeiros, por volta de 1875, e a partir dai foi aos poucos sendo ocupada por leva de imigrantes. Mas so. Os imigrantes foram levando suas vidinhas calmas e esforcadas e estao la ate hoje. Nada de sangue, nada de paredes caindo de velhas, nada de historia acontecimental...
Enfim, chegamos la, em uma viagem tranquila. Tivemos problemas com a pousada em que nos colocaram, em meio de lugar algum a 4 Km do centro. Tive que admirar a persistencia do Andre, que nao sossegou enquanto nao nos mandaram para um lugar decente, no dia seguinte. Foi um pequeno percalco, desses que deixa a viagem divertida quando a gente conta. Tipo minha sogra pedir a moca da copa para fazer um suco para a crianca no cafe da manha e ela oferecer o liquidificador emprestado, por que fazer, nao fazia. Surreal.
A impressao de surrealismo foi aumentando ao longo dos dias. Talvez, ser turista seja aceitar o surrealismo, por que quem quer realidade, fica em casa. Mas sinceramente, ver aquele pessoal com todo tipo de sotaque, do pais inteiro, fantasiado como se estivesse em Aspen, foi um pouco estranho. As mulheres iam para as excursoes de botas de salto fino, sobretudo e muitos xales. Algumas colocavam meias de fio 80 e short curto e salto alto por cima. Gente, ninguem anda assim na rua! E os gramadenses, os poucos que vi, por que a cidade e dos turistas, os nativos devem se esconder em algum gueto, quando nao estao atendendo nas lojas, bares e hoteis, nao se vestem assim. Mesmo por que eles sentem muito menos frio que a gente.
E que frio! Cinco graus, para um carioca e um martirio. Mas obvio, que se eu quisesse calor, teria ido para o Nordeste (que e o que eu farei da proxima vez, se eu nao tiver desistido de viajar ate la...). Sexta feira, 23 de abril foi o dia mais frio e gelado da minha vida.
Em Gramado, tudo e sentou-sorriu-dividiu. Paga-se pelo menos dez reais em qualquer coisa que se tenha para ver, menos o Museu do Perfume. O pessoal garante o sustento! O teleferico, o Mini Mundo, o Mundo a Vapor, a fabulosa igreja neo-gotica de Canelas, as chocolaterias, o Museu Medieval com o maluco polones que merece uma cronica so dele, a vinicola Jolimont, que so vende no minimo seis garrafas de vinho... Foram bons momentos. O ponto alto sem duvida foi sabado a tarde quando nosso pequeno grupo, cansado e com fome ja estava se desentendendo. Casal, sogra e crianca em completa desarmonia, ate que paramos para ver o desfile dos colonos, descendente dos imigrantes originais, que se apresentavam em carrocas puxadas a boi, onde demonstravam suas atividades. Maria Luisa, que esta na fase dos bichinhos, vibrou com bois, porcos, galinhas, cavalos e tudo mais que veio. Muito bonita de gorrinho lilas, ja risonha, ganhou um saquinho de bolinho de chuva, e pao italiano quentinho saido do forno, das mocas que desfilavam. Matou a fome da familia toda e salvou o dia!
Nao achei as pessoas simpaticas. elas sao polidas, educadas. Mas nao sao simpaticas. Elas sabem que dependem do turista e o tratam bem. Simpaticos mesmo era a italianada do passeio que fizemos na zona rural. A senhora dona da fabrica de Mate se encantou por Maria Luisa, que por sua vez dancou muito forro-italiano com o pessoal da sanfona, em outra propriedade. A cidade em si, e muito bonita. E verde, com construcoes bonitas, ruas amplas, sem sinais, faixa de pedestre que fuciona, limpa, muito limpa. Mas fiquei com a impressao que ela faz um grande esforco para que gostem dela. Gramado-entidade quer muito, que seu turista a adore e idolatre, e eu sou refrataria a essas coisas. Ninguem me obriga a gostar de nada! Os restaurantes de aparencia chique e culinaria maravilhosa (come-se muito bem la, nao sei se e o frio, mas tudo tem gosto melhor), as lojas caras, as roupas deslumbrantes que vendem, sua populacao artificial, os cearenses de Aspen, os paulistas dos Alpes... Caramba! Imagino como deve ser em Bariloche!!!
E um faz-de-conta, como a Disney, imagino. A gente parcela a viagem em 10 x no cartao e passa cinco dias fazendo de conta que e rico. Que esta em Caras... A falta de patrimonio e historia afasta quem gosta de aprender e atrai quem gosta de consumir. Que saudades de Ouro Preto!
Ah! Nao sei se gostei de Gramado. Acho que nao vou saber nunca. Sera sempre uma incognita em minha vida. Um duelo entre o que vi e o que percebi. Mas como diriam os antepassados portugueses, "Navegar e preciso". Conhecer o mundo tambem. Nem que seja para falar mal dele depois!
Bjs!
(A falta de pontuacao dessa cronica e culta de um tal de teclado americano, do computador do Andre!)
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