quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Reflexão para mais um Natal
quarta-feira, 22 de julho de 2009
A pequena crônica dos 30 anos.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
A verdade é que eu quase não escrevo que é um pouco difícil fazê-lo com um bebê pendurado em um dos braços. Embora por conta disso eu acho que estou perdendo minha canhotice e estou me tornando progressivamente ambidestra... Eu sempre admirei as mães como se fossem uma mutação, um personagem de Heroes ou X-Men. Não conseguiu abrir a lata? Chama a mãe! Não sabe onde está a blusa vermelha? Chama a mãe! Não consegue alcançar o livro na prateleira mais em cima? Chama a mãe! Está chovendo? Chama a mãe! Não sabe o que fazer? Chama a mãe... Mães têm super força, telepatia, são elásticas, controlam o tempo e o espaço (embora às vezes não consigam controlar os próprios filhos). Mães são Onipresentes e Oniscientes. E tendo estado a vida inteira no lado de lá, no mundo cor de rosa das filhas que não sabem nada, eu sempre tive um enorme respeito pelas habilidades insuspeitas da criatura mitológica que me criou. Minha mãe era como Deméter para mim. Eu sabia que ela congelaria a terra e me buscaria no inferno se fosse preciso. E nunca imaginei que um dia seria como ela...
Mas eu tenho desenvolvido minhas próprias habilidades nos últimos meses... Escuto o choro da minha filha na minha cabeça, e acordo antes dela de fato chorar, tenho mais braços que o Octopus, alcanço coisas impossíveis de pegar, não tenho nojo de nada que seja dela. Nariz franzido em troca de fralda? Só se for de filho dos outros... Algumas habilidades incorporam na nossa personalidade. Outras só funcionam com o filho da gente. Mas não tem nada que se compare com o sorriso dela e a confiança que os olhinhos dela demonstram. Meu pequeno milagre é fabuloso. E eu digo para ela: qualquer problema, chama a mãe!
E com minhas novas habilidades mutantes, eu vou tentar escrever um pouco mais, nem que seja com a direita. E vou tentar variar de assunto embora ela seja meu assunto preferido...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
"O Curioso Caso de Benjamim Button"
Ontem tive a oportunidade de ver o embriagador, segundo a opinião da Isabella Boscov, “O Curioso Caso de Benjamim Button”. Eu e a Isabella Boscov, embora ela não saiba, nos desentendemos várias vezes no ano passado, cada vez que ela escrevia uma crítica positiva sobre um filme que o resultado geral, em minha opinião era pífio, como o quarto “Indiana Jones”, “O Procurado” ou “Quantum of Solace”, entre outros. A minha crise de credulidade tem feito com que o cinema ultimamente não tenha sido uma opção de lazer para mim, por que eu simplesmente não consigo acreditar que alguém sobreviva a uma explosão nuclear dentro de uma geladeira, ou que balas façam curvas fora da “Matrix”. Obviamente, alguns de meus amigos comunistas, diriam que se eu parasse de ler a “Veja”, esse libelo de extrema direita, eu não entraria em contato com as opiniões vendidas da Boscov, essa capitalista desavergonhada prostituída pelos grandes estúdios. Mas deixar de ler a “Veja” não é uma opção. Prefiro deixar de comer carne, ou qualquer coisa do gênero...
Independente de qualquer coisa, a safra de 2008 foi horrível, de onde só se salvou o espertíssimo “A Culpa é do Fidel”, e o romance ultra teen de “Crepúsculo”. Mas essa é a minha singela e desimportante opinião. Só que desta vez eu sou obrigada a assinar embaixo do artigo da Boscov, e acho que “Benjamim Button” será facilmente o melhor filme do ano, que ainda está aos 20 dias do primeiro mês. Mas acho difícil que os próximos 345 dias restantes ofereçam um espetáculo cinematográfico de melhor qualidade.
A princípio, já é inacreditável que David Fincher, o mesmo diretor de um filme pop e violento como “Clube da Luta”, e de um sombrio como “Seven” tenha conseguido desenvolver o universo delicado de “Benjamim”, tornando uma fábula absolutamente crível, como muito filme que se leva a sério não consegue fazer. O filme começa no leito de morte de uma senhora, acompanhada pela filha, no momento em que o furacão Katrina chega a Nova Orleans. Ela pede à filha que leia um antigo diário, e através desta leitura acompanhamos a vida de Benjamim Button, que nascera em 1918, em “circunstâncias incomuns”: ele era um bebê velho, com todos os problemas e doenças da velhice. Abandonado pelo pai e criado num asilo por uma mãe adotiva ultra maternal, a deliciosa Quennie (que por algum motivo chegou a me lembrar da Mammy de Scarllet, em E o Vento Levou), o tempo para ele passa ao contrário, e ele rejuvenesce ao invés de envelhecer. Assim, com todos os ingredientes de uma boa história, nós vamos acompanhando sua vida e seu romance com Daisy, a amiga que conheceu quando era uma criança velha, e seu grande amor, no momento em que eles se encontram na metade do caminho, dele para a infância, e dela para a velhice.
É arrebatador. Talvez mais para mim, que não estava esperando grande coisa, e já tinha me convencido que a história era chata. Fui ao cinema, mais pela vontade do André do que da minha... E saí agradavelmente surpresa e profundamente emocionada.
O processo de rejuvenescimento de Benjamim faz com que ele, que começou a vida em uma cadeira de rodas, tenha prazer em todas as coisas que aos poucos vai se tornando capaz de fazer. Andar ereto, ouvir melhor, enxergar melhor, a elasticidade, força e habilidade da juventude, de tudo ele usufrui, e ao contrário de todos nós, que somos jovens antes de nos tornamos velhos, usufrui sem arrogância. Um jovem, um adolescente, geralmente esquece que o tempo passará para ele, assim como passou para seus pais e avós, e se acha tão distante da velhice, que se sente onipotente. E a onipotência da juventude, se carrega de equívocos, sendo o mais grave deles a impressão de que será eterna. Ainda mais nestes tempos de Botox, em que as pessoas preferem parecer os ETs sem expressão de “Vampiros de Almas” do que assumirem suas rugas como testemunha de um processo de amadurecimento. Mesmo por que não amadurecem.
Para concluir, eu me identifiquei com o filme pelas reflexões que levantou sobre meu relacionamento com a minha avó, que eu e meu irmão carinhosamente, sem que ela saiba, acabamos por apelidar de “Relíquia Macabra”. Minha avó, herança da minha mãe, é um desses casos curiosos na vida, de gente que envelhece sem jamais ter amadurecido. Teimosa, impulsiva, destemperada e egoísta, passou a vida cuidando dela, até o dia em que se “aposentou” e resolveu que nós tínhamos que cuidar dela, o que minha mãe fez quase abnegadamente, e eu faço com um tanto de má vontade, o que não é caridoso, e reconheço. Mas Benjamim me mostrou por que é mais fácil cuidar de uma criança do que de um idoso, mesmo essa criança sendo idosa como ele era. Por que a criança não sabe nada, e no fundo todos nós temos um certo prazer em ensinar a quem não sabe. Mas o idoso já soube, e por algum motivo parece ter esquecido, o bom senso, os argumentos, as possibilidades de debate, para se apegar apenas à teimosia e à vontade. É o que ele quer e é difícil convencê-lo do contrário. E a maioria, por já ter sido jovem, forte e capaz, e por não ter esquecido a arrogância e a “superioridade” da juventude, não se conforma com os novos limites do corpo, a perda gradativa do equilíbrio, da memória, da força, e torna a vida de quem cuida deles um dos círculos do inferno de Dante.
A delicadeza do filme me encantou, e “Benjamim Button” é filme de Oscar, a não ser que a Academia se decida por mais uma daquelas premiações políticas. Eu recomendo, e desafio a qualquer um a não sair da sessão com um nó na garganta, tentando engolir o choro que não combina com a dignidade dos adultos. Só combina com as crianças que fomos e os velhos que nos tornamos. Aposto que não vão conseguir.
OBS: Sem escapar aos assuntos óbvios do dia, boa sorte ao Obama, e Salve São Sebastião.
