Vi ontem o Manhattan Connection do de domingo passado, o último na GNT, já que a partir de janeiro o programa migrará para a Globonews com algumas alterações no formato. O convidado especial do programa foi o Presidente Fernando Henrique Cardoso. O bate papo foi interessantíssimo, e eu fiquei incomodada pensando em por que, o brasileiro despreza ao ponto da ojeriza o lúcido, inteligente, articulado e preparado sociólogo e arrasta multidões, bandeirinhas, estrelinhas por conta das metáforas pobres, do discurso desconexo, do português mal articulado, da política podre do Lula.
Sempre fui admiradora do FHC, coisa que talvez eu não devesse declarar às portas de iniciar um mestrado em História Social na UFRJ. Todo mundo sabe que, para a universidade, para os intelectuais em geral, tão abestalhados com o advento do proletário messias, uma espécie de "bom selvagem" do Rousseau, o PSDB é de direita, o FHC é representante das "zelites", e essa é uma posição política que é um perigo para a minha futura carreira acadêmica. Mas eu não posso me conter. Como enaltecer um político rasteiro como o Lula e desprezar um estadista como Fernando Henrique Cardoso? É claro que com o passar dos anos, vinte, trinta, cinquenta, cem, a história se despirá dos preconceitos ideológicos e se pronunciará como juíza suprema e imparcial destes presidentes. Indagados sobre os grandes presidentes do passado, os que mudaram os rumos do país, os que transformaram o Brasil, Fernando Henrique lembrou de Rodrigues Alves, Campos Salles, Getúlio, Juscelino e até Castello. Fizessem essa pergunta ao Lula e ele responderia o próprio nome, por falta de modéstia, má fé e falta de estudo, afinal duvido muito que ele saiba o suficiente de história do Brasil. E nem precisa. Por que nunca antes nesse país aconteceu nada que valesse a pena relatar, antes do governo dele.
Mas falar mal de Lula é depois de oito anos, chutar cachorro morto. Acaba sábado com a graça de Deus. Guardo no peito a esperança de que a Dilma seja uma caixinha de surpresas boas, e dê um jeito na companheirada, e coloque o Brasil nos rumos inequívocos da democracia, e se afastando do flerte com a escória do mundo. Eu não votei nela. Faço parte dos 45% dos brasileiros que tem pavor do PT e seus asseclas. Mas só posso esperar o melhor. Para mim, o copo está meio cheio.
Nos oito anos de governo Lula, me formei, trabalhei, me casei, tive filho, comprei carro, comprei casa, viajei. Por causa do Lula? Não. Por causa do meu próprio esforço, e não fiz mais por conta dos impostos que me são roubados pelo Estado, para sustentar a corrupção e os miseráveis dos programas assistenciais. E agora vai acabar. Tudo acaba um dia, é certo. A era de César acabou, o que dirá a "era Lula". Quer dizer, já era Lula. Ele pensa em voltar em 2014. Mas 2014 pertence aos profetas, às pitonisas. 2014 não existe ainda. Ele pode morrer até lá. O mundo pode acabar em 2012, como desejam os pessimistas que não sabem o que fazer de si.
Enfim, este texto era para ser simplesmente um elogio e admiração ao Fernando Henrique e acabei resvalando para a mágoa mesquinha que guardei por oito anos. Embora não percebamos agora, o Lula diminuiu o Brasil. Mas acabou.
Faço votos para um 2011 de progresso, realizações e paz.
Boa sorte a todos!
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Aos meus amigos, neste Natal. Ano VI.
Parece que foi em outra vida que eu tinha um blog que todos os meus amigos liam, e fazia mensagens de Natal tão inspiradas, que eu mesma quase acreditava que a boa vontade nos levaria à paz na Terra. Definitivamente, foi em outra vida.
De qualquer forma, eu estou bem convencida de que é Natal. Provavelmente por conta dos vídeos do youtube, montagens com fotos de papai noel, árvores de natal, paisagens, flocos de neve, presépios, bichinhos e bebês fofos, todos embalados pela Simone cantando "Então é Natal", ou, nas versões mais toleráveis, por John Lennon, com a original "Merry Christmas". Eu inadvertidamente mostrei um desses vídeos à criança e abri uma caixa de Pandora. Como consequência o computador da sala não me pertence mais, e cada vez que a música acaba e ela se dá conta disso, começa a gritar "Noel, Noel!" e vai apertar a tecla mais uma vez para recomeçar. Graças a Deus isso já aprendeu a fazer sozinha. Seria terrível ter que levantar a cada quatro minutos para reiniciar o vídeo.
Mas é Natal. O ano termina e começa outra vez. E cá estamos nós mais uma vez procurando um pouco de fôlego para o exame das nossas conquistas, dos nossos fracassos e da nossa consciência. E mais uma vez, este é o grande barato do final do ano. A sensação que, se não deu desta vez, teremos um novo prazo de 365 dias para tentar novamente, o que quer que seja. Casar, emagrecer, ter filho, andar de bicicleta, entrar para a academia, mudar de emprego, passar no vestibular... O final do ano nos deixa com a sensação que tudo será possível no ano que vem. Que da próxima vez, vamos conseguir. Mesmo quando acabamos nos deixando arrastar, mais uma vez, por uma rotina massacrante. O final do ano, é uma fuga. Um momento de esperança. Um horizonte.
É assim para mim. Algumas vitórias consegui alcançar. Outras nem tentei. Mas este ano consegui ter um reencontro comigo mesma, e com minhas habilidades, consegui sair do "tempo da natureza", em que estive imersa nos últimos dois anos e voltar para "o mundo das pessoas adultas". Muito importante. Viajei um pouco. Conheci lugares e pessoas interessantes. Tudo dentro das minhas limitações de mãe-de-criança-pequena, mas já um grande passo. Tive perdas também. Sempre há escolhas a ser feitas. Sempre alguma coisa fica para trás. Percebi, de alguma forma, que algumas amizades foram sofrendo uma perda de intimidade, que doeu um pouco. Mas a fila anda, e se vão os anéis para preservarmos os dedos. Outros ficam. Outros chegam. Fui a um casamento de gente que quero ver muito feliz, sempre. Fui a um enterro, que encerrou uma geração da minha família. Fui a muita festa de criança, e continuo não gostando . Mas vale a pena ver o sorriso da minha filha, enquanto ela corre para lá e para cá, pula, dança, feliz, feliz. Aliás, para ver filho feliz, vale quase qualquer coisa, e nada é mico, nem correr atrás de desfile folclórico para pegar pão para a criança...
Enfim, foi um ano estranho. Acho que vi muita televisão. Também li muito, mas não o suficiente para apagar o medo da água que senti em abril, enquanto acompanhava a enchente pela televisão, e esperava um tsunami invadir minha casa segura. Ou a insegurança que qualquer nuvenzinha mais escura causa na hora de sair de casa. Insegurança que não passa com a visão das polícias e das forças armadas invadindo o Complexo do Alemão. Onde estão os bandidos? Escondidos em algum lugar perto da minha casa? Esperando a poeira baixar para agir? Onde estão nossos direitos humanos? Nosso direito de ir e vir? Nem vou falar da Copa do Mundo, das Eleições ou da vitória do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Fim dos tempos, talvez.
Mas é Natal. E a gente acredita. Acredita que vai conseguir comprar o presente do amigo oculto faltando uma semana para o Natal. Acredita até que se for cedo, o shopping vai estar vazio. Acredita em mudança. Em transformação. Em novidade. É final de ano, e o ano que vem que não existe ainda, é o tempo das possibilidades. Para o ano que vem, está tudo dentro da nossa cabeça. É o futuro. E o futuro depende de nós. Mãos à obra.
De qualquer forma, eu estou bem convencida de que é Natal. Provavelmente por conta dos vídeos do youtube, montagens com fotos de papai noel, árvores de natal, paisagens, flocos de neve, presépios, bichinhos e bebês fofos, todos embalados pela Simone cantando "Então é Natal", ou, nas versões mais toleráveis, por John Lennon, com a original "Merry Christmas". Eu inadvertidamente mostrei um desses vídeos à criança e abri uma caixa de Pandora. Como consequência o computador da sala não me pertence mais, e cada vez que a música acaba e ela se dá conta disso, começa a gritar "Noel, Noel!" e vai apertar a tecla mais uma vez para recomeçar. Graças a Deus isso já aprendeu a fazer sozinha. Seria terrível ter que levantar a cada quatro minutos para reiniciar o vídeo.
Mas é Natal. O ano termina e começa outra vez. E cá estamos nós mais uma vez procurando um pouco de fôlego para o exame das nossas conquistas, dos nossos fracassos e da nossa consciência. E mais uma vez, este é o grande barato do final do ano. A sensação que, se não deu desta vez, teremos um novo prazo de 365 dias para tentar novamente, o que quer que seja. Casar, emagrecer, ter filho, andar de bicicleta, entrar para a academia, mudar de emprego, passar no vestibular... O final do ano nos deixa com a sensação que tudo será possível no ano que vem. Que da próxima vez, vamos conseguir. Mesmo quando acabamos nos deixando arrastar, mais uma vez, por uma rotina massacrante. O final do ano, é uma fuga. Um momento de esperança. Um horizonte.
É assim para mim. Algumas vitórias consegui alcançar. Outras nem tentei. Mas este ano consegui ter um reencontro comigo mesma, e com minhas habilidades, consegui sair do "tempo da natureza", em que estive imersa nos últimos dois anos e voltar para "o mundo das pessoas adultas". Muito importante. Viajei um pouco. Conheci lugares e pessoas interessantes. Tudo dentro das minhas limitações de mãe-de-criança-pequena, mas já um grande passo. Tive perdas também. Sempre há escolhas a ser feitas. Sempre alguma coisa fica para trás. Percebi, de alguma forma, que algumas amizades foram sofrendo uma perda de intimidade, que doeu um pouco. Mas a fila anda, e se vão os anéis para preservarmos os dedos. Outros ficam. Outros chegam. Fui a um casamento de gente que quero ver muito feliz, sempre. Fui a um enterro, que encerrou uma geração da minha família. Fui a muita festa de criança, e continuo não gostando . Mas vale a pena ver o sorriso da minha filha, enquanto ela corre para lá e para cá, pula, dança, feliz, feliz. Aliás, para ver filho feliz, vale quase qualquer coisa, e nada é mico, nem correr atrás de desfile folclórico para pegar pão para a criança...
Enfim, foi um ano estranho. Acho que vi muita televisão. Também li muito, mas não o suficiente para apagar o medo da água que senti em abril, enquanto acompanhava a enchente pela televisão, e esperava um tsunami invadir minha casa segura. Ou a insegurança que qualquer nuvenzinha mais escura causa na hora de sair de casa. Insegurança que não passa com a visão das polícias e das forças armadas invadindo o Complexo do Alemão. Onde estão os bandidos? Escondidos em algum lugar perto da minha casa? Esperando a poeira baixar para agir? Onde estão nossos direitos humanos? Nosso direito de ir e vir? Nem vou falar da Copa do Mundo, das Eleições ou da vitória do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Fim dos tempos, talvez.
Mas é Natal. E a gente acredita. Acredita que vai conseguir comprar o presente do amigo oculto faltando uma semana para o Natal. Acredita até que se for cedo, o shopping vai estar vazio. Acredita em mudança. Em transformação. Em novidade. É final de ano, e o ano que vem que não existe ainda, é o tempo das possibilidades. Para o ano que vem, está tudo dentro da nossa cabeça. É o futuro. E o futuro depende de nós. Mãos à obra.
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