quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Ufa! Que saudade do tempo que eu escrevia todo dia. Agora os dias viram semanas, as semanas viram meses e as linhas de expressão viram rugas. E os blogs meio que perdem o sentido, por que todo mundo 'twitta'. Mas eu sou um pouco burra para parcer inteligente em 150 caracteres, e realmente tenho horror de parecer burra, então é um impasse intransponível.
Por outro lado, a criança chora toda vez que me vê um pouco concentrada em alguma coisa que não seja a pessoa dela, o que é um fator que dificulta bastante minha existência. Eu me sinto como uma paciente de lobotomia, por que eu só tenho meio cérebro para fazer minhas coisas. Eu fiz um projeto para o mestrado com meio cérebro, estudei para a prova com meio cérebro, mas espero conseguir fazer a prova com meu cérebro inteiro. O que não significa muita coisa, afinal, só devo ter assimilado metade do conteúdo.
Assim, independente do resultado, acho que posso me considerar vitoriosa. Devia ter vagas para deficientes. Eu devia concorrer a uma delas.

*** *** ***

Ser mãe é algo contra a minha natureza. Eu tenho um temperamento dado durante a semana à introspecção, à leitura, à divagação e à inércia. E no final de semana dado à bebida alcóolica e bastante bagunça. E está tudo ao contrário agora. Eu passo a semana toda me mexendo mais do que pensando, embora aparentemente ambos sejam concomitantes. Não são. E passo o final de semana sóbria, ainda me mexendo, é claro. Eu nunca mais vou ficar quieta na vida, é uma constatação;

*** *** ***

Falando em crianças, sem considerar o fato de que nunca fui muito fã delas, o que está acontecendo com este mundo? Sim, eu sei que infância e adolescencia tal como a conhecemos mais do que uma condição biológica é um status culturalmente inventado, etc, etc. Sei que historicamente falando casos de abandono e infanticídio são bastante comuns, mas eu também sei que as causas sempre estiveram ligadas à impossibilidade de criar mais um filho. Ou em assumir uma criança ilegítima. Vivemos em tempos civilizados. Devíamos estar civilizados. Devíamos ser civilizados. Mas não somos. Estamos na verdade, vivendo tempos doentes, em que pessoas aparentemente sãs, descontam suas neuroses em crianças. Não é gente ignorante, nem gente que passa fome. É gente com casa, comida e até diploma. De onde vem essa psicopatia? De onde vem essa maldade? De onde vem ...?

Nenhum comentário: