terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tchau, Lula!

Vi ontem o Manhattan Connection do de domingo passado, o último na GNT, já que a partir de janeiro o programa migrará para a Globonews com algumas alterações no formato. O convidado especial do programa foi o Presidente Fernando Henrique Cardoso. O bate papo foi interessantíssimo, e eu fiquei incomodada pensando em por que, o brasileiro despreza ao ponto da ojeriza o lúcido, inteligente, articulado e preparado sociólogo e arrasta multidões, bandeirinhas, estrelinhas por conta das metáforas pobres, do discurso desconexo, do português mal articulado, da política podre do Lula.

Sempre fui admiradora do FHC, coisa que talvez eu não devesse declarar às portas de iniciar um mestrado em História Social na UFRJ. Todo mundo sabe que, para a universidade, para os intelectuais em geral, tão abestalhados com o advento do proletário messias, uma espécie de "bom selvagem" do Rousseau, o PSDB é de direita, o FHC é representante das "zelites", e essa é uma posição política que é um perigo para a minha futura carreira acadêmica. Mas eu não posso me conter. Como enaltecer um político rasteiro como o Lula e desprezar um estadista como Fernando Henrique Cardoso? É claro que com o passar dos anos, vinte, trinta, cinquenta, cem, a história se despirá dos preconceitos ideológicos e se pronunciará como juíza suprema e imparcial destes presidentes. Indagados sobre os grandes presidentes do passado, os que mudaram os rumos do país, os que transformaram o Brasil, Fernando Henrique lembrou de Rodrigues Alves, Campos Salles, Getúlio, Juscelino e até Castello. Fizessem essa pergunta ao Lula e ele responderia o próprio nome, por falta de modéstia, má fé e falta de estudo, afinal duvido muito que ele saiba o suficiente de história do Brasil. E nem precisa. Por que nunca antes nesse país aconteceu nada que valesse a pena relatar, antes do governo dele.

Mas falar mal de Lula é depois de oito anos, chutar cachorro morto. Acaba sábado com a graça de Deus. Guardo no peito a esperança de que a Dilma seja uma caixinha de surpresas boas, e dê um jeito na companheirada, e coloque o Brasil nos rumos inequívocos da democracia, e se afastando do flerte com a escória do mundo. Eu não votei nela. Faço parte dos 45% dos brasileiros que tem pavor do PT e seus asseclas. Mas só posso esperar o melhor. Para mim, o copo está meio cheio.
Nos oito anos de governo Lula, me formei, trabalhei, me casei, tive filho, comprei carro, comprei casa, viajei. Por causa do Lula? Não. Por causa do meu próprio esforço, e não fiz mais por conta dos impostos que me são roubados pelo Estado, para sustentar a corrupção e os miseráveis dos programas assistenciais. E agora vai acabar. Tudo acaba um dia, é certo. A era de César acabou, o que dirá a "era Lula". Quer dizer, já era Lula. Ele pensa em voltar em 2014. Mas 2014 pertence aos profetas, às pitonisas. 2014 não existe ainda. Ele pode morrer até lá. O mundo pode acabar em 2012, como desejam os pessimistas que não sabem o que fazer de si.

Enfim, este texto era para ser simplesmente um elogio e admiração ao Fernando Henrique e acabei resvalando para a mágoa mesquinha que guardei por oito anos. Embora não percebamos agora, o Lula diminuiu o Brasil. Mas acabou.

Faço votos para um 2011 de progresso, realizações e paz.

Boa sorte a todos!

Um comentário:

Juan Cora disse...

a melhor parte: "Nenhum comentário" hahahahhahahaha ostracismo!!!!!!! violação do painel eletronico mandou lembranças!