É mais um Natal que chega. Mais um final de ano, um mês de dezembro, com gente enlouquecida nas ruas, atrás de presentes para a família, televisões de 32 polegadas, carros, viagens... Eu li em algum lugar que só de presentes equivocados são bilhões jogados no lixo todos os anos. Talvez fosse mais econômico se as pessoas trocassem vales-presente, por que aí ninguém iria errar. Não seria romântico, não seria pessoal, mas a satisfação estaria garantida, lá no final da troca... de qualquer modo nosso mundo hoje não é românticó, é impessoal, e o que interessa é a satisfação no final.
Eu estou chata para esse Natal. Chata e impaciente, tipo, não vejo a hora disso acabar.
De qualquer forma, 2009 não foi meu ano. Foi o ano da Maria Luísa. Foi o ano em que ela chegou e eu dediquei todo o meu tempo a cuidar dela, e vê-la se transformando de uma coisinha tão miudinha para uma bebezinha que já esbanja personalidade e vontade. É claro que em 2010 e em todos os anos que eu tiver para viver, ela sempre será minha prioridade. Mas eu sinto que preciso voltar para a existência no Mundo das Pessoas Grandes, saindo um pouco do Maravilhoso Mundo das Mães, em que o tempo é um calendário de vacinação e dentinhos que nascem são medalhas olímpicas...
Mas estou um pouco cansada, dessa agitação de Natal, que este ano começou cedo. Muita compra e pouca reflexão. Muito ter e pouco ser. Todo ano é a mesma coisa no final de ano: gente chorando por que o barraco desabou com a chuva e pessoas sorrindo felizes com suas sacolas no shopping. Prazer ilusório, que acaba quando chega a conta do cartão, em janeiro, junto com o IPVA e o IPTU... Parece que cada ano fica um pouco pior, que se perde um pouco mais de significado, que nos distanciamos mais dos valores como honestidade, gentileza e compaixão e os trocamos pelas coisas que podemos ter e mostrar para os outros.
Gosto de imaginar que na maioria, as pessoas são decentes, embora um pouco mesquinhas. Sempre concordei mais com Hobbes que com Rousseau, mas no ponto em que chegamos, não sei mais se a Sociedade como organismo vivo é o suficiente para disciplinar os abusos dos indivíduos. Mas a única regra dos nossos tempos é viver sem regras. Pensava-se que sem a repressão que as angustiava, as pessoas seriam felizes, se pudessem seguir suas próprias tendências e desejos. Não são. São neuróticas. Com regra ou sem regra, o ser humano sabe se fazer infeliz.
Por conta disso, preciso repensar algumas coisas, para poder ensinar à minha filha que, como disse o poeta, disciplina é liberdade. Compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem. E que temos conviver pacificamente com as perdas, dores e frustrações da nossa condição humana. E que é o equilíbrio interno que nos dá clareza e discernimento para apreciarmos melhor nossas conquistas, valorizando-as pelo nosso esforço. E que não existe felizes para sempre, por que a felicidade deve ser construída todos os dias.
Feliz Natal.

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