quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Aos meus amigos, neste Natal. Ano VI.

Parece que foi em outra vida que eu tinha um blog que todos os meus amigos liam, e fazia mensagens de Natal tão inspiradas, que eu mesma quase acreditava que a boa vontade nos levaria à paz na Terra. Definitivamente, foi em outra vida.

De qualquer forma, eu estou bem convencida de que é Natal. Provavelmente por conta dos vídeos do youtube, montagens com fotos de papai noel, árvores de natal, paisagens, flocos de neve, presépios, bichinhos e bebês fofos, todos embalados pela Simone cantando "Então é Natal", ou, nas versões mais toleráveis, por John Lennon, com a original "Merry Christmas". Eu inadvertidamente mostrei um desses vídeos à criança e abri uma caixa de Pandora. Como consequência o computador da sala não me pertence mais, e cada vez que a música acaba e ela se dá conta disso, começa a gritar "Noel, Noel!" e vai apertar a tecla mais uma vez para recomeçar. Graças a Deus isso já aprendeu a fazer sozinha. Seria terrível ter que levantar a cada quatro minutos para reiniciar o vídeo.

Mas é Natal. O ano termina e começa outra vez. E cá estamos nós mais uma vez procurando um pouco de fôlego para o exame das nossas conquistas, dos nossos fracassos e da nossa consciência. E mais uma vez, este é o grande barato do final do ano. A sensação que, se não deu desta vez, teremos um novo prazo de 365 dias para tentar novamente, o que quer que seja. Casar, emagrecer, ter filho, andar de bicicleta, entrar para a academia, mudar de emprego, passar no vestibular... O final do ano nos deixa com a sensação que tudo será possível no ano que vem. Que da próxima vez, vamos conseguir. Mesmo quando acabamos nos deixando arrastar, mais uma vez, por uma rotina massacrante. O final do ano, é uma fuga. Um momento de esperança. Um horizonte.

É assim para mim. Algumas vitórias consegui alcançar. Outras nem tentei. Mas este ano consegui ter um reencontro comigo mesma, e com minhas habilidades, consegui sair do "tempo da natureza", em que estive imersa nos últimos dois anos e voltar para "o mundo das pessoas adultas". Muito importante. Viajei um pouco. Conheci lugares e pessoas interessantes. Tudo dentro das minhas limitações de mãe-de-criança-pequena, mas já um grande passo. Tive perdas também. Sempre há escolhas a ser feitas. Sempre alguma coisa fica para trás. Percebi, de alguma forma, que algumas amizades foram sofrendo uma perda de intimidade, que doeu um pouco. Mas a fila anda, e se vão os anéis para preservarmos os dedos. Outros ficam. Outros chegam. Fui a um casamento de gente que quero ver muito feliz, sempre. Fui a um enterro, que encerrou uma geração da minha família. Fui a muita festa de criança, e continuo não gostando . Mas vale a pena ver o sorriso da minha filha, enquanto ela corre para lá e para cá, pula, dança, feliz, feliz. Aliás, para ver filho feliz, vale quase qualquer coisa, e nada é mico, nem correr atrás de desfile folclórico para pegar pão para a criança...

Enfim, foi um ano estranho. Acho que vi muita televisão. Também li muito, mas não o suficiente para apagar o medo da água que senti em abril, enquanto acompanhava a enchente pela televisão, e esperava um tsunami invadir minha casa segura. Ou a insegurança que qualquer nuvenzinha mais escura causa na hora de sair de casa. Insegurança que não passa com a visão das polícias e das forças armadas invadindo o Complexo do Alemão. Onde estão os bandidos? Escondidos em algum lugar perto da minha casa? Esperando a poeira baixar para agir? Onde estão nossos direitos humanos? Nosso direito de ir e vir? Nem vou falar da Copa do Mundo, das Eleições ou da vitória do Fluminense no Campeonato Brasileiro. Fim dos tempos, talvez.

Mas é Natal. E a gente acredita. Acredita que vai conseguir comprar o presente do amigo oculto faltando uma semana para o Natal. Acredita até que se for cedo, o shopping vai estar vazio. Acredita em mudança. Em transformação. Em novidade. É final de ano, e o ano que vem que não existe ainda, é o tempo das possibilidades. Para o ano que vem, está tudo dentro da nossa cabeça. É o futuro. E o futuro depende de nós. Mãos à obra.

2 comentários:

Carpe Diem disse...

Nem preciso dizer, que a mocinha sempre teve maestria na escrita, né! Mas, todavia, contudo, entretanto, rsrs, que gostosura seu texto, Dani! Engraçado, que rascunhei o meu inventário deste ano na semana passada e tb lembrei de qtos casamentos e velórios eu fui. de quem vc fala? perdi alguma! Vivendo no hemisfério norte por 2 anos, aqui a contagem é diferente, a espera do fim do ano, não se dá da mesma forma que no Brasil. Isso de terminar o ano, e começar mesmo depois do Carnaval não vale pra cá. E para mim é muito estranho, pois queria que o ano terminasse mesmo, mas ele não termina, é só um interevalo pra tudo ter continuidade na primeira semana de janeiro. è apenas um break, pra todos, escolas, comércio, Parlamento. Estou a ter uma experiência diferenciada do tempo. e ele é um contínuo. Daí a importãncia das férias do verão e das estações do ano. Elas sim, que marcam e delineam o tempo por aqui. Bem, cada um constrói com aquilo que lhe rodeia. Enfim, Adorei sua narrativa, sua história. Gde Beijo

BBtte Canedo disse...

As mudanças fazem parte da vida e influenciam nossas escolhas (ou estaria aí uma das engrenagens do processo dialético, muitas vezes ambíguo e não muito claro?). Tentamos lidar com tais mudanças, com ou sem dor, da melhor forma que teríamos no momento.
Gostaria mesmo que este ano para todos não fosse um ciclo.... mas uma tentativa de início.... se ainda sim não conseguirmos chegar no ideal, que tentemos fazer o possível para dirimir as mágoas, para encontrarmos paz no próprio coração, para tornar nossos relacionamentos maiores e mais reais, verdadeiros de sentido, sem máscaras, pelo menos para nós mesmos.
Que haja a consciêcia do caminho, no esforço de só caminhar....
Com carinho.... e beijinhos....
BBtte